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Nota de Repúdio - Revista Piauí

Atualizado: 17 de abr. de 2023

Conselho da FBB repudia artigo da Revista Piauí que tece de maneira infeliz e equivocada, críticas ao Movimento Bandeirante


Rio de Janeiro, 22 de dezembro de 2017.


Ao Editor da Revista Piauí


Prezado Editor,


A Federação de Bandeirantes do Brasil (FBB) está recebendo algumas notificações de membros da Instituição sobre um artigo publicado na Edição 135 | Dezembro de 2017 da Revista Piauí sobre questões de gêneros, cujo título é “O dia em que aprendi a lutar caratê”, escrito pela jornalista e colaboradora Vanessa Barbara, na qual a autora tece de maneira infeliz e equivocada, críticas ao Movimento Bandeirante, demonstrando falta de conhecimento dos princípios, valores, método e histórico da instituição.


Em um esforço mal sucedido em tentar ensaiar algo sobre questão de gênero, diminuindo e difamando o papel pioneiro desta instituição para a causa do empoderamento feminino no Brasil, a autora e seu veículo de comunicação demonstram um total desconhecimento sobre a questão da condição feminina no país e prestam um desserviço a sociedade brasileira. Apenas para ciência da Revista Piauí e de seus leitores, a FBB foi fundada em 1919 pela jovem Jerônyma Mesquita aos 39 anos e destinava-se à formação de meninas e moças. Ao aceitar o desafio de fundar a instituição, Jerônyma deu todo seu apoio à organização desse Movimento pioneiro numa época em que poucas senhoras ousavam sair do âmbito de suas atribuições domésticas.


Sua fundadora foi uma mulher à frente do seu tempo e uma ativista pelo empoderamento da condição feminina no país, sendo responsável por inúmeros feitos que contribuíram para a emancipação dos direitos femininos. Foi uma das fundadoras da Pro Matre, da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF) em 1922, pioneira pelo voto feminino no Movimento Sufragista de 1932 e fundou o Conselho Nacional das Mulheres em 1947. Sua luta possibilitou que muitos avanços sociais e políticos fossem conquistados pelas mulheres no Brasil e inspirou a Lei nº 6.971, de 1980 que instituiu o Dia Nacional da Mulher, comemorado no dia 30 de abril, data de seu nascimento e em homenagem por sua ação feminista, sufragista e de assistência social.


A maneira como o Bandeirantismo foi citado em seu artigo, além de ter sido desrespeitosa com a instituição, cabe informar não ter sido a primeira vez que a jornalista se aproveita do ambiente de trabalho, na condição de colaboradora deste importante veículo de comunicação, para difamar a imagem da instituição, conforme pode ser verificado no artigo da Edição 30 | Março de 2009 sobre o mundo encantado do terceiro setor, intitulado “Sem xixi na galocha”.


Difamar um Movimento centenário por seus associados serem corteses, gentis e cuidadosos com o próximo, é inaceitável. Ao longo de sua história de mobilização social, o Movimento Bandeirante cresceu ocupando seu lugar como uma entidade que tem se preocupado em investir na educação, contribuindo para a formação de crianças, adolescentes e jovens mais conscientes de seu papel na sociedade e na melhoria da comunidade em que vivem. Através de uma metodologia própria, a ação do Bandeirantismo é desenvolvida em conjunto com a escola e a família, ajudando a juventude a conhecer a sociedade em que vivem, a pensar criticamente e a agir de maneira responsável.


A FBB conhece e entende o funcionamento das redações, das produções jornalísticas, incluindo a cobertura de pautas. Entende, também, que a rotina de um jornalista é veloz assim como a circulação de informação. Entretanto, sendo a Revista Piauí um canal propagador de notícias tão respeitado e que possui tamanha credibilidade do seu público, o mesmo não deveria cometer erro de apuração como esse.


Respeitamos o jornalismo da Piauí, mas da maneira que foi exposto o Movimento Bandeirante, é notório que a Revista não conhece o Movimento apropriadamente para autorizar a publicação desses tipos de artigos, escritos apenas com base na experiência pessoal como regra para construção do artigo, ferindo a ética jornalística, conjunto de normas e procedimentos éticos que regem sua atividade e a conduta desejável esperada pelo profissional.


Cabe ainda informar que, o artigo referido demonstra total ignorância sobre a tradição/modernidade do Movimento Bandeirante, seus projetos, atuações, posições no mundo e, principalmente, sobre a diferença que faz na vida dos mais de 10 milhões de crianças e jovens no mundo inteiro. Com a construção de seu texto, a jornalista desmerece a história e o legado da Associação Mundial de Bandeirante (WAGGGS), a maior organização feminina mundial presente em 150 países, reconhecida pela ONU como parceira estratégica para garantir que a voz das meninas seja ouvida no mundo, difamando com o principal argumento, a “Especialidade de Cortesia” que alega ter tirado em 1993.


Muito nos entristece que alguém que fez parte do nosso Movimento Bandeirante não tenha aprendido a ser leal e respeitar a verdade. Esperamos sinceramente que os responsáveis se retratem sobre o que foi dito, pois além de apresentar a instituição de forma destorcida, faltou fazer pesquisa e embasamento por parte da jornalista ao escrever o artigo, ferindo os princípios básicos do jornalismo: pesquisar, apurar, ouvir os dois lados e informar. Tal fato acarreta uma série de danos à imagem do Movimento Bandeirante e não pode acontecer sem que haja retratação.


Uma instituição de 98 anos de existência, presente em 14 estados brasileiros, tendo beneficiado mais de um milhão e meio de pessoas, como o Movimento Bandeirante, não pode ter sua imagem difamada desta forma. Estamos falando de quase 99 anos de um trabalho responsável, ininterrupto e que envolve crença, valores e princípios.


Conforme previsto na Constituição, o Conselho Diretor Nacional da Federação de Bandeirantes do Brasil exige o direito de resposta a esta empresa de comunicação, concedendo o mesmo espaço utilizado pela jornalista. Além disso, informa também que estará buscando medidas judiciais para que haja retratação e ressarcimento dos danos morais causados. A imprensa é livre para se posicionar da forma que bem entenda, no entanto, repudiamos a conduta da profissional de comunicação por ter sido irresponsável com as associações inverídicas que norteiam o artigo. Não se trata de uma questão de opinião, e, sim, de questões pessoais e supostas experiências negativas que a autora imputa ao Movimento Bandeirante e que são fruto de sua própria vivência e interpretação, da qual não podemos sequer atribuir veracidade.


Estamos à disposição da Revista Piauí, através do contato da nossa Assessora de Comunicação, Gleusa Santos, no e-mail: comunicacao@bandeirantes.org.br e telefone: (21) 2240-9220.


Agradeço desde já a atenção dispensada.


Saudações Bandeirantes,


Maria de Fátima Blanco Paiva

Presidente Nacional

Conselho Diretor Nacional


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