Por Joice Denne
Palestra de Lúcio Flávio Pinto inaugura o ciclo de debates do Fórum do Futuro IV
“Se vocês quiserem tomar o melhor açaí, venham tomar aqui. Mas se quiserem conhecer o açaí, têm que ir à Nova Iorque (...)”. Aconteceu nesse tom o bate-papo do jornalista e sociólogo paraense, Lúcio Flávio Pinto, na primeira palestra do Fórum do Futuro IV, realizada na manhã do último dia 21 de julho, no auditório do Parque dos Igarapés em Belém do Pará, com Bandeirantes entre 15 e 21 anos de 11 estados brasileiros.
O jornalista orientou a curiosidade de Bandeirantes para a detecção da importância da biodiversidade da Amazônia na descoberta do aproveitamento sustentável da região, e registrou a falta de pesquisa nacional à respeito dos problemas e capacidade econômica e tecnológica que pode ser criada com recursos naturais da área.
Segundo Lúcio, somente 2% do dinheiro investido em pesquisa no Brasil é destinado à Amazônia. A maior pesquisa é feita mesmo por centros internacionais de inteligência.
Além dessa observação, o jornalista ainda expôs a falta de aproveitamento do conhecimento das pessoas que são da própria região para compor as pesquisas que são feitas.
Lúcio surpreendeu o público jovem que não conhecia os números alarmantes que registram o Estado do Pará, na Amazônia Legal brasileira, como o terceiro destino migratório do país ao receber pessoas em busca do trabalho gerado pela execução dos Grandes Projetos de Mineração no estado, em especial. Entretanto, que ainda assim, está na 16ª posição no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano do Brasil (IDH). E que seus jovens ocupam a 21ª posição no Índice de Desenvolvimento Jovem do país (IDJ).
O palestrante afirma que a educação pública é baseada em merenda escolar não só no estado como na região amazônica inteira. “Quando tem, todos vão à aula. Quando as férias chegam, até o índice de nutrição reduz no Estado.”, provoca Lúcio.
Envolvidos com o debate, os Bandeirantes recolheram informações sobre o lado menos exótico das personagens de dentro e de fora da floresta que têm o interesse comum de explorar o ecossistema como subsistência. Ou, ainda, para gerar energia que abastece o país, fornecer alumínio e minério de ferro (bauxita) ao maior mercado consumidor desse produto no planeta: China e Japão; e levar à discussão aos seus estados de origem, propondo respostas para manifestar a relação dos jovens com a questão.
A jovem Bruna Silva, do Rio de Janeiro, encerrou o debate respondendo ao confronto proposto pelo Fórum Bandeirante que pergunta o que os jovens têm a ver com isso. A carioca Bandeirante agradeceu pela palestra e se comprometeu, em nome de todos os membros da ONG jovem, a não esquecer que a Amazônia precisa ser conhecida e que a briga não é a favor do não-desenvolvimento. “Quando for a nossa vez de decidir, prometemos nos colocar em posições que reafirmem o nosso compromisso bandeirante e vamos usar todos esses recursos com sabedoria”, diz.
Para Lúcio Flávio Pinto, o maior problema da Amazônia é a falta de vontade do público que têm interesse nela, em despertar para aprendê-la. “Achamos que a história já está escrita na Amazônia e não temos tempo, nem disposição para conhecê-la.” |